Projeto Economia Solidária e Economia Criativa inicia série de cine-debates em São Paulo
Encontro realizado na Agência Solano Trindade marcou a abertura da programação que percorrerá cinco municípios paulistas.
A manhã do dia 5 de dezembro reuniu diferentes vozes da cultura e da economia solidária na Agência Solano Trindade, no Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo. O espaço, marcado por sua trajetória histórica na luta cultural e comunitária, sediou o primeiro cine-debate do projeto Economia Solidária e Economia Criativa – Interfaces, iniciativa do Instituto Paul Singer que irá percorrer cinco municípios paulistas promovendo encontros dedicados à escuta, à troca de experiências e à reflexão sobre práticas econômicas e culturais nos territórios.
Para Bia Schwenck, pesquisadora do Instituto Paul Singer e coordenadora metodológica do projeto, iniciar a programação na Agência Solano Trindade teve um significado especial. “É uma parceira do Instituto desde que ele nasceu como ideia. Estamos falando de uma casa que carrega uma história profunda de organização popular, de economia solidária e de cultura viva, com uma história que começa nos anos 1980 com a União Popular de Mulheres, depois com o Banco União Sampaio, que são grandes referências de organização e mobilização popular”, destacou.
O encontro aconteceu no período da manhã e começou no clima bem de casa, com um café preparado por Tia Nice, do restaurante Organicamente Rango, iniciativa também instalada na Agência. Em seguida, os participantes assistiram ao vídeo que inspira o projeto e participaram de uma roda de conversa que reuniu representantes de diferentes organizações, movimentos e territórios, ampliando o debate a partir de múltiplos pontos de vista.
Durante a conversa, Alex Barcelos, da Agência Solano Trindade, compartilhou a trajetória de aproximação entre cultura e economia solidária a partir da JuveSol, além de relembrar sua atuação histórica na luta pela cultura periférica e na construção da Lei de Fomento à Cultura da Periferia. Vera Machado, militante da economia solidária e referência da economia feminista, recuperou momentos importantes do movimento em São Paulo, como as fábricas recuperadas, e reforçou que os princípios da economia solidária precisam permanecer no centro desses diálogos. Segundo ela, autogestão, solidariedade, preço justo e trabalho coletivo são elementos que sustentam esse campo como um projeto de transformação social.
O ex-deputado estadual Simão Pedro, que integra a construção deste projeto junto com o Instituto Paul Singer também participou do debate, destacando o legado de Paul Singer e a importância de valorizar os saberes dos territórios. Em sua fala, ressaltou que a aproximação entre economia solidária e economia criativa tem como eixos centrais a valorização do trabalho e a construção de uma vida digna, baseada em relações coletivas e democráticas.
A conversa foi ampliada com a presença de agricultoras e agricultores urbanos, que trouxeram a experiência da agricultura urbana e periurbana para o debate. Para Bia Schwenck, uma das imagens que sintetizaram o encontro veio justamente desse campo. “A metáfora dos consórcios agroecológicos, em que diferentes espécies crescem juntas e se fortalecem, ajuda a pensar essa relação entre economia solidária, economia criativa e diversidade”, afirmou.
Também estiveram presentes representantes de movimentos de catadores, de mulheres, da agricultura urbana, da moradia e de uma aldeia indígena de Paraty. Para a coordenadora do projeto, essa diversidade de vozes reforça o sentido da iniciativa. “Quando partimos das práticas dos territórios, elas não apenas apontam demandas, mas também indicam caminhos possíveis. O trabalho coletivo que já acontece precisa orientar nosso olhar e nossas proposições políticas e coletivas”, concluiu.
O cine-debate em São Paulo marcou, assim, o início de uma série de encontros que busca fortalecer o diálogo entre economia solidária e economia criativa, valorizando práticas culturais, formas coletivas de organização econômica e os saberes construídos no cotidiano das comunidades.
Próximos encontros do projeto
06/12 — 14h30 | Diadema
Centro Cultural Taboão — Av. Dom João VI, 1393
Parceria: Coletivo Calundu
12/12 — 9h | Araraquara
Auditório do SEBRAE — Av. Maria Antonia Camargo de Oliveira, 2903
Parceria: Coletivo Mãos que Criam
15/12 — 18h30 | São Carlos
Centro Público de Economia Solidária Herbert de Souza “Betinho” — Rua José Bonifácio, 885
Parceria: Instituto Janela Aberta e Fórum Municipal de Economia Solidária de São Carlos
17/12 — 12h30 | Osasco
SENAC Osasco — R. Dante Batiston, 248
Parceria: ATEMDO – Associação de Trabalhadores em Domicílio da Economia Solidária
Texto de Marcus Oliveira.


