Projeto Economia Solidária e Economia Criativa percorre cinco cidades paulistas debatendo cultura, trabalho e território
O Instituto Paul Singer realizou, entre novembro e dezembro, o projeto Economia Solidária e Economia Criativa – Interfaces, uma iniciativa voltada a mapear, valorizar e fortalecer experiências municipais que articulam arte, cultura, trabalho coletivo, inclusão produtiva e práticas criativas nos territórios. A proposta reuniu especialistas, lideranças comunitárias, coletivos culturais, empreendimentos solidários e representantes do poder público em uma série de encontros que combinaram exibição de filmes, rodas de conversa e escuta ativa das realidades locais.
O lançamento do projeto aconteceu no dia 26 de novembro, em transmissão ao vivo, e reuniu nomes de referência nacional como Camila Capacle, Simão Pedro e Célio Turino, com mediação de Bia Schwenck, pesquisadora do Instituto Paul Singer e coordenadora metodológica da iniciativa. O debate apresentou o eixo central do projeto: compreender como economia solidária e economia criativa, embora partam de lógicas distintas, se encontram de forma concreta no cotidiano dos territórios, especialmente quando cultura, políticas públicas e trabalho coletivo se articulam como estratégias de desenvolvimento.
A partir desse marco inicial, o projeto seguiu para uma série de cine-debates presenciais em cinco municípios paulistas, aprofundando a discussão a partir das práticas locais.
Em São Paulo, no dia 5 de dezembro, o primeiro cine-debate presencial aconteceu na Agência Solano Trindade, no Campo Limpo, Zona Sul da capital. O encontro reuniu organizações da economia solidária, movimentos sociais e coletivos culturais, destacando a trajetória histórica do território na articulação entre cultura viva, organização popular e políticas públicas, além de reafirmar a centralidade da autogestão e do trabalho coletivo.
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No dia 6 de dezembro, o projeto chegou a Diadema, no Centro Cultural Taboão, em parceria com o Coletivo Kalundu. O encontro aproximou artistas, artesãs, agentes culturais e representantes do poder público, evidenciando como práticas coletivas, feiras culturais e formas horizontais de organização já materializam, no cotidiano, princípios da economia solidária, mesmo fora de seus marcos conceituais formais.
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O terceiro cine-debate foi realizado em Araraquara, no dia 12 de dezembro, no SEBRAE, em parceria com a Associação Mãos que Criam. A conversa teve forte ancoragem na realidade local e abordou temas como feiras de economia criativa, uso e ocupação de espaços públicos, regulamentação de políticas municipais e a formação de cadeias produtivas locais, reforçando o papel histórico da cidade na construção de políticas públicas para a economia solidária.
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Em São Carlos, no dia 15 de dezembro, o cine-debate integrou a programação da última reunião do Fórum Municipal de Economia Solidária, realizada no Centro Público Betinho, coincidindo com o Dia Nacional da Economia Solidária. O encontro reuniu trabalhadores, empreendimentos, gestores públicos e representantes do legislativo, aprofundando reflexões sobre conselhos, fundos públicos, feiras e as possibilidades de aproximação entre cultura e economia solidária a partir das práticas locais.
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O ciclo foi encerrado em Osasco, no dia 17 de dezembro, no SENAC, em parceria com a ATENDO – Associação de Trabalhadoras em Domicílio da Economia Solidária. O encontro integrou as comemorações dos 20 anos da Política Municipal de Economia Solidária e promoveu uma análise histórica e crítica sobre os impactos da descontinuidade de políticas públicas, o enfraquecimento de espaços democráticos e a necessidade de reafirmar princípios inegociáveis da economia solidária no diálogo com a economia criativa.
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Ao longo dos encontros, o projeto Economia Solidária e Economia Criativa – Interfaces reafirmou que as interfaces entre esses campos emergem, sobretudo, das práticas concretas dos territórios. Cultura, nesse contexto, não aparece apenas como expressão simbólica, mas como forma de organização do trabalho, geração de renda, fortalecimento de vínculos comunitários e produção coletiva de vida. A iniciativa aponta caminhos para políticas públicas mais integradas, baseadas na escuta, na continuidade e no reconhecimento dos saberes construídos no cotidiano das comunidades.
Texto de Marcus Oliveira.


